Por Marcelo Albuquerque

 

As pinturas romanas, em grande parte afrescos, têmperas e encáusticas, receberam influencias etruscas, itálicas e gregas. Em Pompeia encontram-se grandes exemplos preservados de pinturas, especialmente as agregadas aos ambientes arquitetônicos públicos e privados (ver Domus italica). As pinturas nos ambientes se dividem em quatro estilos principais, configurando padrões decorativos, sendo eles: primeiro estilo, segundo estilo, terceiro estilo e quarto estilo. Para o momento, não serão abordadas as pinturas romanas cristãs, pois as mesmas serão citadas em um momento mais oportuno. Vitruvio argumenta que os antigos instituíram os princípios de acabamento imitando primeiro as variedades e aplicações das placas de mármore e, depois, as varias possibilidades de distribuição de cornijas, molduras e bandas separadoras[1].

 

Primeiro estilo de pintura: acontece desde os tempos republicanos no século II a.C., com influencias helenísticas. Remete à elementos estruturais e incrustações, como alvenarias e fiadas de blocos de pedra. Este estilo imita elementos com estuque em relevo, revestimentos de paredes em opus quadratum e placas de mármore, através de efeitos de pintura marmorizada (ver Tecnologias de construção e ornamentação romanas). Podem conter também representações de elementos arquitetônicos e estruturais, como colunas e pilares, de forma a organizar e dividir a superfície da pintura.

 

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Casa do Fauno: lararium do segundo peristilo. Nesta imagem vê-se claramente as tecnologias de construção romanas em alvenaria, concreto e estuques ornamentais, emulando fiadas de alvenaria de pedra, um pilar ornamental e caneluras de colunas, de acordo com o primeiro estilo de pintura. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Casa da Nave Europa: nesta imagem vê-se o primeiro estilo de pintura e estuques em um dos cubículos da residência de Pompeia. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Primeiro estilo de pintura da Casa Sanittica em Herculano. Fonte: Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Herculaneum_Wall_1.Style.jpg. Acesso em 13 dez. 2017.

 

Segundo estilo de pintura: nas pinturas encontram-se elementos arquitetônicos ornamentais e estruturais, como colunas, pilares, cornijas e frisos, pintadas virtuosamente de forma ilusionista trompe l’oeil (enganar os olhos), substituindo o uso de estuques do primeiro estilo. São pintadas, como aponta Vitruvio, em perspectiva falsas portas, colunas, janelas e paisagens de jardins, portos, promontórios, rios, montanhas, naturezas-mortas e bosques, que porventura poderiam conter cenas mitológicas. De acordo com o arquiteto romano, no sétimo livro, o segundo estilo era a representação de vistas de edifícios e elementos arquitetônicos, compostas com cenas trágicas, cômicas e satíricas[2]. Em Pompeia, o segundo estilo está bem preservado na Villa dos Mistérios, e em Herculano, na Villa de Boscoreale. Como foi dito anteriormente sobre as villas (ver Villas), a Vila dos Mistérios é famosa pelos seus afrescos do triclínio, representado os Mistérios Dionisíacos ou ritos pré-nupciais. Outro afresco do segundo estilo recuperado são procedentes da Casa da Via Graziosa, em Roma, retratando cenas da Odisseia, em especial o ataque dos Lestrigões.

 

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Vila dos Mistérios: oecus (sala) ricamente ornamentadas com pinturas no segundo estilo, com arquiteturas imaginárias. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Vila dos Mistérios: oecus (sala) ricamente ornamentadas com pinturas no segundo estilo, com arquiteturas imaginárias. Detalhe de pintura de porta com frontão. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Vila dos Mistérios: oecus (sala) ricamente ornamentadas com pinturas no segundo estilo, com arquiteturas imaginárias. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Vila dos Mistérios: oecus (sala) ricamente ornamentadas com pinturas no segundo estilo, com arquiteturas imaginárias. Detalhe da pintura da base de uma coluna, onde pode-se ver intervenções de restauração. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Vila dos Mistérios: oecus (sala) ricamente ornamentadas com pinturas no segundo estilo, com arquiteturas imaginárias. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Vila dos Mistérios: oecus (sala) ricamente ornamentadas com pinturas no segundo estilo, com arquiteturas imaginárias. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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 Vila dos Mistérios: cubiculum com duas alcovas decorado no segundo estilo, com figuras de Dionísio, Sileno e sacerdotisas. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Vila dos Mistérios: triclínio dos Mistérios Dionisíacos. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Vila dos Mistérios: triclínio dos Mistérios Dionisíacos. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Vila dos Mistérios: triclínio dos Mistérios Dionisíacos. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Vila dos Mistérios: interior. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Vila dos Mistérios: interior. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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O Ataque dos Lestrigões. Museus Vaticanos. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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O Ataque dos Lestrigões. Museus Vaticanos. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

Terceiro estilo de pintura: do inicio da era imperial, se assemelha ao segundo estilo, porém elimina as pinturas ilusionistas de perspectiva e efeitos tridimensionais, apresentando estruturas planas chapadas monocromáticas, podendo se assemelhar a tapeçarias e planejamentos. No centro encontram-se cenas pintadas como pequenos quadros com cenas mitológicas e teatrais. São comuns ornamentos como mascarões, candelabros, figuras mitológicas e guirlandas. Em Pompeia, o terceiro estilo destaca-se na Casa de Casca Longus (ver Casa de Casca Longus).

 

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Casa de Casca Longus: átrio. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Casa de Casca Longus: átrio. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Casa de Casca Longus: detalhes das pinturas parietais do átrio no terceiro estilo. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Casa de Casca Longus: detalhes das pinturas parietais do átrio no terceiro estilo, com cenas teatrais. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Casa de Casca Longus: detalhes das pinturas parietais do átrio no terceiro estilo, com cenas teatrais. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Casa de Casca Longus: detalhes das pinturas parietais do átrio no terceiro estilo, com figuras de mascarões. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Casa de Casca Longus: detalhes das pinturas parietais do átrio no terceiro estilo, com figuras de mascarões. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Casa de Casca Longus: detalhes das pinturas parietais do átrio no terceiro estilo, com cenas teatrais. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Casa de Casca Longus: detalhes das pinturas parietais do átrio no terceiro estilo, com cenas teatrais. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Thermopolium de Vetutius Placidus: o cubículo está decorado no terceiro estilo com grandes painéis brancos e bordas ornamentais em vermelho. Os painéis centrais contêm pequenas cenas emolduradas com pássaros. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Thermopolium de Vetutius Placidus: o triclinium possui decoração do terceiro estilo, consistindo em painéis vermelhos separados por paisagens em perspectiva em um fundo branco, ladeado por bandas pretas ornamentadas com candelabros. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Thermopolium de Vetutius Placidus: lararium pintado com trabalhos de estuque fino, apresentando na figura central o gênio da casa realizando um sacrifício sobre um pequeno altar. No lado esquerdo está Mercúrio, o deus do comércio, enquanto na extrema direita está Baco, o deus do vinho. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

Quarto estilo de pintura: surgiu no período da dinastia julio-claudiana e se assemelha ao terceiro estilo, com a inclusão de rebuscadas figuras fantásticas, como grifos e harpias, e arquiteturas imaginárias com grandes cenários, como se vê na Domus Aurea de Nero em Roma. O quarto estilo é o mais extravagante e rico dentre todos, agregando elementos dos demais estilos anteriores, porém mais decorativo, encontrando-se os marmorizados do primeiro estilo, as arquiteturas trompe l’oeil do segundo estilo e os quadros e ornamentações do terceiro estilo.

 

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Domus Aurea, Roma. Fonte: Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/Domus_Aurea. Acesso em 13 dez. 2017.

 

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Casa do Poeta Trágico: triclínio decorado com painéis amarelos no quarto estilo, com arquiteturas fantásticas. Ao centro, cena de Teseu e Ariadne. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Casa do Poeta Trágico: cena de Teseu e Ariadne. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

Os grotescos são um tipo pintura parietal que se originam no quarto estilo da pintura romana, popularizada no renascimento italiano do século XV, devido em grande parte às recentes escavações das ruínas antigas. Vemos representações de quimeras e seres híbridos e monstruosos alados, entre elementos geométricos e vegetais, como guirlandas, quase caligráficos, sobre um fundo neutro.  O nome groteco deriva das grutas e cavernas da colina Esquilino em Roma, ou seja, as ruínas subterrâneas da Domus Aurea de Nero. Grandes artistas e arquitetos do período renascentista popularizaram as descobertas aplicando-as nas construções e reformas contemporâneas, como se vê no pátio do Palazzo Vecchio, em Florença.

 

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Pinturas grotescas renascentistas no Palazzo Vecchio, Florença. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Pinturas grotescas renascentistas no Palazzo Vecchio, Florença. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Pinturas grotescas renascentistas no Palazzo Vecchio, Florença. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Pinturas grotescas renascentistas no Palazzo Vecchio, Florença. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Pinturas grotescas renascentistas no Palazzo Vecchio, Florença. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Pinturas grotescas renascentistas no Palazzo Vecchio, Florença. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Pinturas grotescas renascentistas no Palazzo Vecchio, Florença. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Forro da Gallerie degli Uffizi em estilo grotesco renascentista. Florença. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

[1] VITRUVIO, 2007, p. 358.

[2] VITRUVIO, 2007, p. 359.