Por Marcelo Albuquerque

 

Movimento, mudanças, luz, crescimento e decadência são, para Andy Goldsworthy, o sangue vital da natureza, as energias com que o artista procura construir sua obra. Quando trabalha com uma pedra, um tronco ou uma folha, não é o material em si que ele está preocupado, mas com um processo mais integral da vida. Quando ele se vai, o processo continua. Ele aproveita, segundo suas palavras, o que o dia oferece: se está nevando, trabalha com a neve, no outono trabalha com as folhas caídas e secas[1]. A cor é um elemento importante na organização das ideias de Goldsworthy. Os buracos no solo se tornaram um elemento importante. Olhar para um buraco profundo e negro enerva o artista.  Seu conceito de estabilidade é questionado, e então fica ciente das potentes energias da terra. O preto é essa energia tornada visível. Muitas obras se constroem obedecendo a um ritmo esquemático, conferindo aos trabalhos uma conotação estética particular aos artistas: a manipulação das cores de acordo com um conhecimento prévio. Círculos de flores amarelas cuidadosamente desenhadas contratam com um “fundo” de outras flores da cor complementar ao amarelo, o violeta, conferindo maior contraste e aproximação do universo cromático das artes visuais. Na série de obras realizadas com fileiras de folhas, Goldsworthy organiza-as de acordo com uma gradação cromática que remetem às escalas de dégradés reconhecidas em sistemas cromáticos, como Munsell. Encontra-se passagens do verde ao branco, um giro pelo disco de cores (violeta-azul-vermelho-amarelo-verde), uma escala de cinza (do preto ao branco), uma escala em “harmonia” (do vermelho ao verde, encontrando cinza ao meio) e uma gradação de tom terroso ao branco. As mesmas gradações ocorrem com formas escultóricas, como nos acúmulos de pedras de folhas, também com a presença de buracos negros. O arco-íris é outro elemento explorado por Goldsworthy, cores que se apresentam “prontas” para serem registradas através de um ato detonador (como na obra Rainbow splash, 1980).  No período moderno, o arco-íris é representado nas paisagens, como na arte barroca holandesa e pelos pintores românticos do século XIX. Constable é um grande exemplo. Goldsworthy executou boa parte de suas obras em locais onde os mesmos artistas românticos representaram a atmosfera melancólica e idealizada da natureza, nas florestas e nos vastos campos do interior da Inglaterra.

 

[1] GOLDSWORTHY, 1990, sem página (introduction).