Por Marcelo Albuquerque

 

O design, assim como as artes plásticas, aderiu ao pensamento pós-modernista. A partir dos anos 60, a insatisfação associada ao formalismo e ideologia ligados à Bauhaus levou a inovações e experimentações com cores e texturas de caráter decorativo, com certos momentos historicistas, conhecido com “adhocismo” (de ad hoc, cuja tradução literal é “para isto” ou “para esta finalidade”). O designer italiano Ettore Sottsass, do grupo Menphis, figura de grande importância no design contemporâneo, ligado ao Antidesign, desenvolveu a sua antifuncional Estante Carlton (1981), uma alusão explícita às formas “bauhausianas”, mas contrariando todo o padrão de funcionalismo desejado pela escola moderna.

 

Para Dempsey, a web art é democrática e a interatividade é sua característica fundamental. Imagem, texto, movimento e som, reunidos pelos artistas, podem ser navegados pelos espectadores em suas próprias montagens multimídias, cuja “autoria” final será aberta. Os espectadores tornam-se usuários. Segundo Dempsey, Peter Stanick (http://www.stanick.com) cria pinturas digitais de alto impacto que evocam a Pop Art e se referem a cenas de Nova York, como uma continuação da abordagem mecânica dos artistas pop Roy Lichtenstein e Andy Warhol. Outros experimentaram paletas de cor específicas da tecnologia digital e da web, por oposição às propriedades físicas do pigmento na pintura tradicional, como a paleta de cor hexadecimal (256 cores)[1]. Os praticantes da web art são de origens variadas. Uns vem das artes plásticas, outros da área de negócios, tecnologia e design gráfico. John Maeda, diretor do Grupo de Estética e Computação, do Laboratório de Mídia do MIT, recebeu formação de cientista nesse instituto e depois estudou arte e design no Japão. Ele mistura arte visual com ciência da computação, com um dinamismo óptico que evoca a Op Art.

 

O uso de cores primárias e secundárias costuma ser associada como característica dos pintores primitivos e da arte infantil, conforme Dempsey comenta sobre o grupo CoBrA. Porém, percebe-se, em um segmento das artes visuais contemporânea, um cruzamento com as artes gráficas e ilustração, um uso constante das cores do disco cromático saturadas, provavelmente por influência dos sistemas de impressão CMYK, que confere um caráter universal a essas obras. O grupo E-Boy (autointitulado como pixel art) e o artista japonês Takashi Murakami são referências no uso dessa paleta de cores.

 

[1] DEMPSEY, 2003, p. 288.