Por Marcelo Albuquerque

Assim como Kandinsky, Paul Klee desenvolveu ampla pesquisa teórica e prática entre as relações simbólicas e espirituais da forma e da cor. Impelido por um forte misticismo gnóstico e esoterismo, percebia nas cores e formas uma analogia com as forças da natureza. Para assumir essa expressividade, o artista deveria imergir não só nos estudos teóricos e práticos de uma escola de artes, mas também desenvolver uma sensibilidade perante as forças da natureza. Como Itten e Kandinsky, Klee dispensou extrema importância para a independência da cor e das formas, integrando não só a base dos conceitos expressionistas, como também dos abstracionistas. Sua célebre frase “A cor me possui” é citada incessantemente na história da arte moderna.

Itten, Kandinsky e Klee possuem em Goethe uma referência fundamental. Goethe insere com pioneirismo a visão filosófica, fisiológica e psicológica no estudo da cor, tão cara à Bauhaus, em um momento onde a cor era abordada como apenas fenômeno físico nas obras científicas ou em caráter técnico como no sistema de Ostwald. A partir das observações de Goethe, Kandinsky detalha sistemas diversos de estudos, como a percepção ótica da cor, a vivência psíquica, o simbolismo nas diversas culturas e associações poéticas e literárias, onde a cor tende a ter maior interesse nas artes plásticas[1].

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Paul Klee: Retrato de Frau P. no Sul, 1924. Aquarela e frottage a óleo sobre papel montado em madeira pintada a guache. Peggy Guggenhein Collection, Veneza. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

[1] KANDINSKY, 2003, p.36-39.