Roma: cidades e fundamentos urbanos

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Por Marcelo Albuquerque

Aqui pretendo traçar linhas gerais sobre a concepção de uma cidade romana criada praticamente do zero, a partir de assentamentos militares e com fins coloniais. A cidade de Roma não se enquadraria nesse contexto, por ter se formado em um período distante e com circunstâncias diferentes, como apresentado em Origens Míticas e Históricas. O desenho urbano[1] romano ainda se apresenta em muitas cidades europeias e do Mediterrâneo, como no norte da África e no Oriente Médio, preservando os desenhos originais e centros mais antigos. Como aponta Mumford, em A cidade na história, os romanos, segundo Varrão, realizavam ritos etruscos ao fundar novas cidades. Não começavam simplesmente com um augúrio, mas também com a demarcação dos contornos da cidade por um sacerdote que guiava a charrua. Dessa prática surgiu o pomerium, um cinturão sagrado dentro e fora da muralha, onde nenhum edifício podia ser edificado, representando os limites sagrados[2] (ver Palatino).

Os romanos privilegiavam uma cidade planejada ortogonalmente conectada pelas estradas pavimentadas, abastecida por aquedutos e rede de esgotos[3]. O planejamento seguia as tradições etruscas e gregas, especialmente as das cidades helenísticas. A cidade helenística, como aponta Mumford (1998), é equipada com sistema sanitário, possui ordenação geométrica e tende a uma estética unificada. A impressão estética é enaltecida com a adoção de longos eixos em perspectiva e monumentalidade. Hipódamo de Mileto (498-408 a.C.) foi um teórico da cidade grega, representante da antiga Escola Jônia. Hipódamo foi o introdutor de uma planificação apoiada em ruas largas que se cruzavam em ângulos retos, como um tabuleiro de xadrez. Já o traçado em tabuleiro das cidades planejadas era uma tradição da Jônia, desde o sec. VII, aplicado às colônias gregas que se espalhavam pelo mundo mediterrâneo e outras regiões interioranas. O desenho reticulado designava áreas distintas adequadas ao modo de vida e divisão de classes gregas, estabelecendo as áreas comerciais, residenciais e as ágoras planejadas. Foi o primeiro arquiteto grego conhecido a conceber um planejamento urbano e a estrutura de uma cidade a partir de um ponto de vista que privilegiava a funcionalidade.

As novas cidades eram planejadas como novas colônias, carecendo de fortificação e um bom sistema de defesa. As cidades, exceto Roma, possuem seu espaço dividido em quadrângulos regulares, baseados nos acampamentos militares chamados castrum (ver Castrum), cujo centro era denominado fórum. Dessa forma, o castrum era dividido em quatro partes, chamados distritos. Algumas cidades possuíam áreas sagradas elevadas, as acrópoles, segundo tradições itálicas e helenísticas. O esquema mais organizado era o baseado em dois eixos principais: o cardo maximus (norte-sul) e o decumanus maximus (leste-oeste), cuja interseção se encontravam os fóruns. Entretanto, algumas cidades, como Pompeia, possuíam dois ou mais fóruns secundários. A forma da cidade geralmente correspondia a um quadrado, mas poderia ser em um polígono desigual, como a cidade de Silchester na Grã-Bretanha[4]. Nos fóruns, como foi visto anteriormente, eram realizadas as principais reuniões políticas, legislativas, judiciais, comerciais e religiosas (ver Fórum Romano).

Mumford, em A cidade na história, aponta algumas características das cidades romanas. Hígeno, arquiteto romano, considerava o tamanho ideal de uma cidade romana planejada em 730 por 490 m., como Turim e Aosta, principalmente devido às estratégias de defesa e fortificação[5]. As cidades parecem ter sido planejadas para, no máximo, 50.000 habitantes. Podiam haver legislações sobre o tráfego intenso de carroças, com leis que proibiam o trânsito de dia, conforme decreto de Júlio César, banindo o tráfego de rodas durante o dia em Roma, causando um problema maior: o tráfego a noite, perturbando o sono dos cidadãos romanos. Sobre as cidades romanas, o autor comenta:

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Lucca romana. Adaptado do Google Earth. Marcelo Albuquerque, 2017.

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