Por Marcelo Albuquerque

As insulas designam dois elementos da cidade romana: edifícios de apartamentos e blocos similares ao “quarteirão” de uma cidade. Os edifícios verticais podiam ter vários andares, sendo geralmente destinados a alugueis com forte especulação imobiliária, para abrigar numerosas famílias, que viviam em condições muito insalubres e em constante risco de devastadores incêndios. Mumford, em A cidade na história, aponta que, em alguns casos, viviam cerca de 2.000 pessoas em um único prédio de apartamentos, locado e sublocado ferozmente. A construção dessas insulas costumavam ter um caráter excessivamente especulativo, visando um lucro abusivo, construindo estruturas frágeis que frequentemente desabavam ou eram destruídas por devastadores incêndios. Muitas eram tão mal construídas e altas que não ofereciam meios de saída fácil em caso de incêndios, enquanto outras balançavam a cada golpe de vento que soprava, segundo Juvenal. Entre os grandes investidores imobiliários de Roma, encontra-se Crasso, que se gabava de jamais gastar dinheiro em construção[1]. Para Mumford, essa concepção de moradia anulava a tradição romana que considerava a casa da família (lar) como um espaço religioso, arrebatando dos mais pobres essa concepção primária do cotidiano religioso do período. Segundo Giordane, os autores latinos mencionam escadas intermináveis, andares altíssimos e janelas tão próximas que os vizinhos podiam dar as mãos[2]. Aos pés da escadaria Cordonata, no Capitolino (ver Capitolino), é possível contemplar uma insulae romana, sendo que uma parte foi convertida na igreja de San Biagio de Mercato durante a Idade Média.

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Ruínas da igreja de San Biagio de Mercato em uma insula romana, aos pés do Capitolino, ao lado da Escadaria Cordonata. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Abside com afrescos das ruínas da igreja de San Biagio de Mercato em uma insula romana, aos pés do Capitolino, ao lado da Escadaria Cordonata. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Ruínas da igreja de San Biagio de Mercato em uma insula romana, aos pés do Capitolino, ao lado da Escadaria Cordonata. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Importantes escavações de insulas se localizam em Ostia Antica, o antigo porto de Roma, na foz do Tibre. A Casa de Diana é um exemplo de “condomínio” da Roma Antiga, datada de 150 d.C., uma testemunha do crescimento populacional do porto. As ínsulas eram compostas geralmente de, baseadas em Ostia: a) térreo, acima do nível da rua (oficinas de hospedagem) e mezanino, de alvenaria e concreto; b) primeiro andar, alojamentos e apartamentos mais elegantes, com gesso pintado de vermelho, verde e dourado, com alvenaria e concreto; c) segundo e terceiro andares com  apartamentos mais humildes, construídos com estruturas de madeira.

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Imagem de Óstia Antiga, antigo porto de Roma, sítio arqueológico com importantes ruínas de insulas. Fonte: Google Earth, 2015.

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Ínsulas de Ostia Antica. Fonte: Wikipédia. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Ostia_Antica. Acesso em: 14 set. 2016.

[1] MUMFORD, 1998, p. 242-244.

[2] GIORDANE, 2012, p. 345.