Por Marcelo Albuquerque

As Termas de Caracala constituem uma das maiores ruínas de termas imperiais de Roma ainda preservadas e abertas à visitação, comparada apenas em grandeza e opulência às Termas de Diocleciano. Se situam sobre uma extremidade da colina do Aventino, no trecho inicial da Via Appia, construídas entre 212 e 216 d.C. Acredita-se que pode ter sido iniciada em 206 por Sétimo Severo, seu pai e fundador da dinastia. Sucessores, como Heliogábalo (218-222) e Alexandre Severo (222-235) continuaram sua construção e ornamentação. O complexo era abastecimento por uma ramificação do aqueduto Acqua Marcia, conhecido como Aqua Antoniniana, que cruzou a Via Appia pelo Arco de Druso (ver Aquedutos e pontes).

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Ruínas das Termas de Caracala, vista do exterior. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

A planta das Termas de Caracala é inspirada no modelo das Termas de Trajano no Esquilino, com um amplo desenho quadrangular abrigando toda uma infinidade de serviços, atingindo aproximadamente 400 metros de largura. No apodyterium se preservam antigos mosaicos. Importantes obras de arte foram descobertas no local durante escavações, especialmente no século XVI, como as esculturas de Farnese (o Touro, a Flora e Hércules, propriedades do Museu Arqueológico Nacional de Nápoles) e o mosaico com vinte e oito figuras de atletas, descoberto em 1824, pertencente aos Museus do Vaticano.

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Planta das Termas de Caracala. Fonte: Wikipedia. https://fr.wikipedia.org/wiki/Thermes_de_Caracalla. Acesso em: 12 set. 2016.

Summerson[1] aponta que o vestíbulo da já demolida Pennsylvania Railroad Station, em Nova Iorque, foi baseado nas Termas de Caracala, conforme podemos ver nas imagens a seguir:

Pennsylvania Railroad Station (1910-1963). Fonte: Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Pennsylvania_Station_(1910%E2%80%931963). Acesso em: 12 set. 2016.

O complexo passou por diversas obras de restauração executadas pelos imperadores Aureliano, Diocleciano, Teodósio e pelo rei godo Teodorico (493-526) As Termas de Caracala deixaram de funcionar durante a Guerra Gótica, entre 535 a 553, após o colapso dos aquedutos pelos godos. Assim como outros grandes edifícios, foi reutilizada como residências e sua área central como xenodochium, um tipo de albergue para peregrinos e estrangeiros do início da Idade Média. Sua área circundante foi ocupada com cemitérios e áreas agrícolas de proprietários vizinhos.

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Capitéis jônicos das Termas de Caracala na Basílica de Santa Maria em Trastevere. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Assim como o Coliseu, suas ruínas foram exploradas como pedreira para obtenção de materiais de qualidade, como mármore e metal, e elementos estruturais e ornamentais, como colunas e capitéis. A basílica de Santa Maria in Trastevere possui, por exemplo, estruturas e ornamentos arquitetônicos retirados das Termas de Caracala, como suas colunas jônicas. Nesses capitéis haviam pequenos rostos de Ísis, Serápis e Harpócrates esculpidos (deuses oriundos do Egito), porém foram destruídos a mando do papa Pio IX em 1870. De forma pior, considerando sua conservação e destruição irreversíveis, durante a Idade Média e Renascimento, mármores foram extraídos para o processamento de calcário em cal de mármore.

Atualmente as ruínas são utilizadas para concertos, shows e eventos ao ar livre, destacando-se a temporada de óperas, como podemos ver na apresentação dos Três Tenores (Luciano Pavaroti, Plácido Domingo e José Carreras) em 1990, no link a seguir:

[1] SUMMERSON, 2009, p. 35.