Basílicas

Por Marcelo Albuquerque

 

As basílicas surgem em Roma, influenciadas por estruturas helenísticas dos centros administrativos, como as stoas das ágoras gregas, e foram modelos para as plantas basilicais das grandes catedrais da Idade Média. Não se destinavam a cultos religiosos. Acolhiam grandes salões, bibliotecas e um grande número de pessoas. Suas funções eram majoritariamente judiciais, funcionando como tribunais para várias instancias, mas também para às questões comerciais, civis e de entretenimento da Roma Antiga. Eram constituídas de grandes salões retangulares, com divisões internas de colunatas, muitas delas arcadas, formando uma grande nave central e duas ou mais naves laterais. Na cabeceira, localizava-se, em geral, uma abside, estrutura em forma de meio cilindro coberto com uma meia abóbada. Podia acolher a figura do imperador, como a estátua colossal de Constantino, acervo dos Museus Capitolinos (ver Basílica de Constantino). O catolicismo adotará a abside como elemento funcional e simbólico, sendo por excelência a localização próxima do altar medieval. Suas naves laterais podiam conter exedras, estruturas semelhantes em forma à abside.

 

Planta da Basílica Emília e Basílica de Constantino, no Fórum Romano. Fonte: Wikipédia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Bas%C3%ADlica. Acesso em: 12 set. 2016.

 

As basílicas situavam-se preferencialmente nos fóruns centrais das cidades. As mais importantes da capital Roma eram a basílica Júlia, a basílica Emília, a basílica Úlpia (ver Fórum de Trajano), no fórum erguido pelo imperador Trajano, e a basílica de Constantino (ver Basílica de Constantino). A Basílica Porcia é conhecida como a primeira estrutura desse tipo erguida, sob o comando de Catão, o Censor, no século II a.C. Localizava-se a oeste da Cúria, no Fórum Romano. A Basílica Julia está localizada no local de outra basílica mais antiga, a Basílica Sempronia, construída pelo censor Tibério Graco, por volta de 170 a.C. O novo edifício maior foi iniciado por Júlio César por volta de 54 a.C., juntamente com o novo Fórum de César (ver Fórum de César). No lado oposto situava-se a Basílica Emilia, restaurada e concluída na época de Augusto.

 

2018 - Basilica Julia - nanquim e caneta marcador 21 x 29 cm

Marcelo Albuquerque: Basílica Julia. Desenho a partir de modelo 3D de L.VII.C. Nanquim e caneta marcador, 21 x 29 cm,  2018.

 

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Basílica Júlia, Fórum Romano. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Embasamento e fragmento de uma semi-coluna dórica adossada em uma pilastra da Basílica Júlia, reconstruída a partir de fragmentos originais. Fórum Romano. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Arcadas da época de Diocleciano na Basílica Júlia, Fórum Romano. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Reconstituição por computação gráfica da Basílica Emília, nos tempos de Augusto, no Fórum Romano. Fonte: Wikipédia. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Basilica_Aemilia. Acesso em: 12 set. 2016.

As basílicas persistiram na Idade Média porque foram adotadas pelos cristãos como igrejas para os cultos, devido à sua funcionalidade e monumentalidade, já que os tradicionais templos pagãos não ofereciam tamanha versatilidade para tal função. O culto cristão acolhe o fiel na estrutura, tornando-o parte dos rituais e das celebrações, enquanto os templos pagãos têm a tendência de apenas permitir a entrada de sacerdotes ou um menor número de pessoas. Sendo assim, as grandes igrejas, catedrais e basílicas medievais, principalmente as ocidentais da Baixa Idade Média, possuirão grandes naves centrais, naves laterais e monumentais absides, além da junção das torres de campanário que se agregam à estrutura principal, ou perto dela.

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Fundações da Basílica Emília, com a Cúria ao fundo. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Fundações da Basílica Emília, no plano médio, com o Palatino ao fundo. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Ruínas da Basílica Úlpia, no Fórum de Trajano. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Outra importante basílica visitada foi a do fórum de Pompeia, descrita com mais detalhes no capítulo dedicado à cidade em si. Serão apresentados exemplos de basílicas católicas mais adiante, quando tratarmos da arte e arquitetura cristãs no Império Romano do Ocidente.

 

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Basílica de Constantino, vista do Palatino. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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