Por Marcelo Albuquerque

O Templo de Hércules, situado ao lado do Templo de Portuno, também no Fórum Boário, é um exemplo de tholos de ordem coríntia, datado de 2 a.C. Seu entablamento original foi perdido. O atual telhado se assenta sobre vigas que se ligam diretamente acima dos capitéis.

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Templo de Hércules. Fórum Boário, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Templo de Hércules. Fórum Boário, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

No Fórum Romano, outro típico tholos é o Templo de Vesta, parte do complexo dedicado às vestais, chamado de Atrium Vestae. As ruínas visíveis pertencem a uma reconstrução moderna parcial em mármore travertino. O templo possui um podium circular de concreto romano revestido de lajes de mármore, com um diâmetro aproximado de 15 metros, contendo uma cella.  Do podium se projetam pedestais para as vinte colunas coríntias do peristilo. O edifício era coberto com um telhado cónico, com um óculo central para a saída da fumaça da chama eterna de Vesta.  É considerado um dos complexos mais antigos de Roma, antes mesmo da criação do Fórum. Vesta era a deusa protetora das cidades e de todos os lares do Estado. As sacerdotisas responsáveis pelo controle da chama sagrada foram as Virgens Vestais, praticamente o único sacerdócio feminino em Roma. O templo, como boa parte das estruturas romanas, sofreu inúmeras destruições pelo fogo e foi reconstruído várias vezes, mas mantendo praticamente a mesma planta. A chama sagrada foi extinta em 391, quando Teodósio I aboliu os cultos pagãos, dissolvendo o complexo.

Templo de Vesta. Fórum Romano. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Atrium Vestae. Fórum Romano. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Localizado na acrópole de Tívoli, cerca de 50 quilometros de Roma, o Templo de Vesta, ou Templo das Sibilas, oferece um pitoresco cenário entre montanhas, precipícios, cachoeiras e vegetação, ao longo do Parque da Villa Gregoriana. Foi cconstruído no final do século II a.C. por Lucius Gellius, sendo convertido em igreja durante a Idade Média, com o nome de Santa Maria Rotunda. Foi restaurado o que restava da estrutura original.

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Templo de Vesta. Tívoli. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

O templo é um típico monóptero, ou tholos, com cerca de 14 metros de diâmetro, sobre um podium de concreto romano, que originalmente possuía 18 colunas coríntias. Os frisos do entablamento são decorados com crânios de boi e festões (guirlandas). No interior, as paredes da cella são de concreto opus incertum, enquanto o podium possui travertino em opus quadratum (ver Tecnologias de Construção).  O teto de caixotões do anel do pórtico é outro elemento de origem helenística, como será vista no Panteão. Seu telhado era cônico, conforme a tradição. O templo foi estudado por Sebastiano Serlio, Andrea Palladio e Piranesi, tornando-se um tema de pinturas neoclássicas e românticas.

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Templo de Vesta. Tivoli. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Templo de Vesta. Tivoli. Detalhes do entablamento. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Rosetas nos caixotões. Estrutura da cella em opus incertum do Templo de Vesta. Templo de Vesta. Tivoli. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Templo de Vesta, vista a partir da trilha da Villa Gregoriana. Tivoli. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Entorno do Templo de Vesta. Tivoli. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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William Turner: Tivoli com o Templo das Sibilas e cascatas. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Joseph_Mallord_William_Turner_-_Tivoli_with_the_Temple_of_the_Sybil_and_the_Cascades_-_Google_Art_Project.jpg. Acesso em: 12 set. 2016.

Tempietto, no monte Gianicolo, antiga colina de Roma, dentro do complexo de San Pietro in Montorio, foi construído por Donato Bramante entre 1502 e 1509. É uma grande joia arquitetônica do Renascimento inspirado no tholos clássico, conhecido por sua investigação proporcional e geométrica na relação entre as partes. Construído no meio de um dos pátios do mosteiro, é composto de uma colunata dórica de granito cinza, com entablamento com frisos e decorado com métopas e triglifos. O templo, muito pequeno, tem forma circular e um corpo cilíndrico com diâmetro de apenas 4 metros, pois tem uma função puramente simbólica e memorial, mais do que um espaço dedicado às funções litúrgicas. A forma cilíndrica foi cuidadosamente transformada no interior, com altos e profundos nichos, quatro dos quais recebem pequenas estátuas dos evangelistas, enquanto no altar está uma estátua de São Pedro. O suntuoso piso é feito inteiramente com azulejos policromos de mármore, em estilo cosmatesco medieval, mas que havia voltado à moda no final do século XV. A cúpula foi projetada em concreto e tomou como modelo o Panteão, colocada sobre um tambor decorado por pilastras formando um sobreposto com as colunas. Sob o templo, há uma cripta também circular, cujo centro indica o local onde foi plantada a cruz do martírio de São Pedro. A ideia de Bramante nasceu do desejo de criar um edifício que iria seguir o exemplo das primeiras e pequenas construções circulares cristãs usadas geralmente como martirya, fundamentadas no tholos greco-romano. A influência do pequeno templo é colossal, vista na cúpula da Basílica de São Pedro, de Michelangelo, e no Capitólio, em Washington DC, ou mesmo no Panteão, em Paris.

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Tempietto de Bramante. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.