O arco e as abóbadas romanas

Por Marcelo Albuquerque

Dentre as maiores contribuições da arquitetura, engenharia e estética romana estão o aperfeiçoamento e a utilização dos arcos em larga escala, sendo uma das formas mais influentes na civilização ocidental. Os arcos são, primeiramente, belos e simples; e a multiplicação de suas formas possibilitou rearranjos estéticos sem precedentes na arquitetura, como vemos nas abóbadas, cilindros e cúpulas. Além disso, os arcos permitem uma melhor distribuição do peso e maiores vãos, comparados ao sistema de pilares/colunas e arquitraves gregas. O arco romano funciona através de um sistema de distribuição de cargas que convergem das aduelas para os pilares, travado pela colocação final de uma pedra-chave no meio do vão. Os arcos reduzem os custos de construção por permitirem maiores vãos e menos materiais, além de serem facilmente replicados através das formas de madeira. Sobre a imposta, uma pequena extremidade em balanço, era colocada a forma de madeira que permitia o assentamento das aduelas e da chave do arco.

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O Coliseu e suas imponentes arcadas. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Elementos do arco romano. Adaptado por Marcelo Albuquerque, 2017.

Abóbada de berço e cimbramento. Fonte: Wikipédia. Disponível em: https://es.wikipedia.org/wiki/B%C3%B3veda_de_ca%C3%B1%C3%B3n. Acesso em: 04 nov. 2016.

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Abóbada de aresta. Fonte: Wikipédia. Disponível em: https://it.wikipedia.org/wiki/Volta_a_crociera. Acesso em: 04 nov. 2016.

O arco romano, associado ao concreto pozolana (opus caementicium), foi um dos principais elementos arquitetônicos e de engenharia que contribuíram para o desenvolvimento das edificações e sua monumentalidade. Os arcos e as abóbadas poderiam ser também moldados em concreto e revestidos com alvenaria de tijolos.

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Fórum de César no Fórum Romano, onde vê-se as ruínas de arcadas de concreto e alvenaria. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Fórum de César no Fórum Romano, onde vê-se as ruínas de arcadas em concreto. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Os arcos primitivos e semiarcos remontam ao Egito Antigo e à Mesopotâmia, como encontra-se na câmara mortuária da pirâmide do faraó Miquerinos, em Gizé. O arco e a abóbada são introduzidos na península itálica pelos etruscos, e estes impulsionarão a arquitetura, a engenharia e a estética romana no futuro. A Porta Augusta, em Perugia, é um dos primeiros exemplos da introdução do arco em escala monumental no vocabulário das ordens clássicas. O arco de triunfo romano, por exemplo, é derivado das portas etruscas. A Cloaca Maxima, o grande esgoto com arcos e abóbadas, que possibilitou a construção e drenagem do Fórum Romano, foi desenvolvida por engenheiros etruscos durante o domínio desses em Roma, no período da Monarquia. Os romanos desenvolveram complexos sistemas de arcadas e abóbadas, abrangendo desde as portas das cidades, esgotos, monumentos triunfais, pórticos e demais edifícios públicos e privados. Certamente, o edifício mais famoso por suas arcadas é o Anfiteatro Flaviano, chamado Coliseu de Roma, com seus 80 arcos completando a circunferência do edifício em cada nível. Entre as abóbadas romanas destacam-se a de berço e a de aresta. Adiante, veremos mais detalhes sobre cada um destes icônicos edifícios.

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Arcadas do Coliseu e suas diferentes técnicas de construção de arcos, com pedras ou alvenaria de tijolos e concreto (incluindo restaurações). Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Arcadas do Coliseu e suas diferentes técnicas de construção de arcos, com pedras ou alvenaria de tijolos e concreto (incluindo restaurações). Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Arcos abatidos de alvenaria de tijolos e concreto na Villa Adriana, em Tivoli. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Abóbada de berço em concreto romano do Arco de Tito, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

Abóbada de aresta em concreto romano. Termas de Diocleciano, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Abóbada de aresta em concreto romano. Termas de Diocleciano, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Arcadas em concreto romano e alvenaria de tijolos dos Mercados de Trajano, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Arcos (e arcobotantes) e abóbadas de arestas moldadas em concreto romano com revestimento em alvenaria de tijolos dos Mercados de Trajano, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Basílica de Constantino, vista do Palatino. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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