Aquedutos e pontes

Por Marcelo Albuquerque

 

Os aquedutos são construções emblemáticas e símbolo do poderio romano. Na sua construção eram utilizados o concreto (opus caementicium) e a alvenaria de tijolos e pedras, aliados à tecnologia dos arcos. Eles são, em essência, canais artificiais de condução de água para níveis mais baixos que as fontes naturais, aproveitando-se a gravidade. As fontes podiam captar água das nascentes ou estarem em represas, sendo recolhidas em pontos ligados a pequenos túneis. A água não poderia correr em ângulo muito íngreme, pois danificaria o canal ao longo do tempo devido ao atrito. Grande parte dos aquedutos seguiam perto da superfície, acompanhando os contornos do terreno. Se encontrava um monte, era escavado um túnel cortando o seu interior. Se atingisse um vale, uma ponte arcada seria construída, geralmente. Ao chegar nos arredores da cidade, a água enchia um grande tanque de distribuição chamado de castellum. A partir dali a água podia correr e se ramificar em outro castellum secundário. Estes se ramificaram novamente, muitas vezes em tubos e canais de alvenaria, fornecendo água sob pressão para fontes, casas particulares e banhos.

 

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Ilustração representando a condução de águas a partir da fonte até a cidade. Adaptado por Marcelo Albuquerque, 2017.

 

O Acqua Appia foi o primeiro aqueduto romano, construído em 312 a.C. por Ápio Cláudio, o mesmo censor responsável pela construção da Via Ápia. Fluía por 16,4 km, entrando em Roma pelo oriente e desembocando no Fórum Boário. O Acqua Claudia começou a ser construído por Calígula (37-41) e terminou no governo de Cláudio (41–54), seu sucessor. A construção foi do ano 38 a 52. Entre as fontes principais, estava o Subiaco, a 70 km de Roma.

 

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Acqua Claudia. Parque dos Aquedutos, Roma. Fonte: Wikipédia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Aquedutos_romanos. Acesso em: 12 set. 2016.

 

Arcada e ruínas do Arco de Druso, parte do aqueduto Antoniniano, junto à Porta Latina, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Ninfeu de Alexandre, Piazza Vittorio Emanuelle II, Esquilino, Roma. É uma fonte monumental (ninfeu) e tanque de distribuição de água (castellum) do aqueduto da Porta Tiburtina. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

O aqueduto da Pont du Gard, na França, do século I a.C., foi construído provavelmente por Agripa. O nível inferior possui uma estrada e o nível superior um aqueduto, com 1,8 metros de altura e 1,2 m de largura, com gradiente de 0,4%. O nível inferior possui 7 arcos, o nível médio 11 arcos, e o nível superior 35 arcos.

 

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Pont du Gard, França. Fonte: Wikipédia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ponte_do_Gard. Acesso em: 12 set. 2016.

 

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Serapeu, na Villa Adriana, Tivoli. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Aquedutos de alimentação das cascatas do Serapeu, na Villa Adriana, Tivoli. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Aquedutos de alimentação das cascatas do Serapeu, na Villa Adriana, Tivoli. Fonte: Wikipédia. Disponível em: https://hu.wikipedia.org/wiki/Villa_Adriana. Acesso em: 12 set. 2016.

 

As pontes romanas, assim como os aquedutos, isentando-se as pontes de madeira, foram construídas com concreto (opus caementicium), alvenaria de tijolos e pedras, além de possuírem o arco como a estrutura fundamental. Muitos aquedutos também possuíam a função de pontes, como a Pont du Gard, na França, que permitia a passagem de veículos e ainda hoje possui a passagem de pedestres. As pontes e aquedutos romanos eram erguidos praticamente em todos os protetorados e territórios ocupados pelo império.

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Ponte Rotto, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

Os arcos das pontes eram em sua maioria de volta perfeita, semicirculares, mas podiam ser de arco segmentado, menor que um semicírculo, permitindo vãos maiores e a diminuição do peso total da estrutura. A Ponte Fabricius, em Roma, de 62 a.C., é a ponte romana mais antiga ainda em pé, e possui inscrições em latim em homenagem ao seu construtor.

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Ponte Fabricio, a ponte mais antiga de Roma, em condições originais, iniciada em 62 a.C., Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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Ponte de Santo Ângelo, 133 a 200 d.C., Roma. Em 1450 a ponte ruiu, devido ao grande trânsito de pessoas, sendo depois restaurada. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

 

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