Por Marcelo Albuquerque

Estudar a cidade de Pompeia é uma das melhores oportunidades de voltar no passado e conhecer de perto as tecnologias de construção e os interiores das casas dos ricos romanos. Está entre as melhores oportunidades de analisar, em todo o mundo romano, não só como era uma típica cidade romana em si, mas conhecer também detalhes mínimos da arquitetura, mobiliário e dos costumes dos cidadãos de Roma. A cidade foi uma espécie de balneário muito valorizado e frequentada por ricos e famosos.

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Porta Marina, entrada e bilheteria do sítio arqueológico. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Pompéia está situada ao sul de Nápoles, na região da Campânia italiana. A cidade, junto à vizinha Herculano, no ano 79 de nossa era, foi destruída e soterrada por cinzas vulcânicas e pedras-pomes durante a grande erupção do Monte Vesúvio. Sua população era estimada em cerca 11.000 pessoas, porém sabe-se que a maior parte conseguiu escapar a tempo do desastre. Os que morreram no local, foram enterrados sob toneladas de cinza vulcânica.

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Marcelo Albuquerque: Último dia de Pompeia. Aquarela, guache e grafite. 29,5 x 42 cm. 2016.

A destruição foi narrada na carta de Plínio, o Jovem, que viu a erupção a uma distância segura e descreveu a morte de seu tio Plínio, o Velho, historiador e almirante da frota romana, que morreu intoxicado durante o resgate de cidadãos. O Monte Somma e o Vesúvio faziam parte da mesma montanha, que se dividiu em 79. Sua altura chegava a 2.000 m. O mar afastou-se da costa aumentando a distância entre Pompeia e a praia.

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Karl Bryullov: Os últimos dias de Pompeia. Óleo sobre tela, 1830-33. 456,5 x 651 cm. Disponível em: https://it.wikipedia.org/wiki/Karl_Pavlovi%C4%8D_Brjullov. Acesso em: 20 set. 2016.

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Panorama de Pompéia. Ao fundo os montes Vesúvio e Somma. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pompeia. Acesso em: 20 set. 2016.

A cidade foi fundada no sétimo ou sexto século a.C. pelos Oscos. Foi cidade etrusca, grega e samnita. Tornou-se uma cidade romana plenamente em 89 a.C., na época de Sula. As escavações arqueológicas evidenciam a erupção do ano 79, porém outras escavações mais profundas expõem camadas mais antigas que remontam à época em que a cidade foi fundada. Os detalhes da vida cotidiana preservados vão desde as ruas da cidade, templos, mercados, residências, aquedutos, banhos, casas de gladiadores, teatros e anfiteatros. Além das grandes estruturas, é possível contemplar detalhes e acabamentos arquitetônicos e obras de arte. Grande parte das obras de arte originais mais valiosas foram transferidas para o Museu Nacional em Nápoles.

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Pompéia. Fonte: Google Earth. Acesso em: 20 set. 2016.

Depois que as grossas camadas de cinzas cobriram Pompéia, ela foi abandonada e esquecida. Em 1599, os primeiros vestígios foram encontrados, quando um canal subterrâneo foi escavado para desviar as aguas do rio Sarno, revelando paredes cobertas com pinturas e inscrições. O arquiteto Domenico Fontana foi chamado; e este revelou mais alguns afrescos, mas, em seguida, cobriu-os de novo, pois o conteúdo sexual frequente de tais pinturas poderia comprometer a integridade das mesmas devido aos moralismos e contextos da época. Herculano foi redescoberta em 1738 por operários que trabalhavam no palácio de verão para o Rei de Nápoles. Pompéia foi redescoberta em 1748 pelo engenheiro militar espanhol Rocque Joaquin de Alcubierre. Em 1738 iniciaram-se as escavações de Herculano, e dez anos depois em Pompeia. Atualmente, é Património Mundial da UNESCO. A beleza da cidade escavada está na possibilidade de estudar um instantâneo da vida romana no século I, congelado no tempo em que foi soterrada, no dia 24 de agosto. A cidade de Pompeia segue a tradição de planta romana com seu cardus e decumanus bem definidos, convergindo no seu belo e monumental fórum. Tinha um sistema complexo de água, anfiteatro, teatros, ginásio, termas e muralhas com sete portas ao longo de seu perímetro.

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Escavações do final do século XIX. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://it.wikipedia.org/wiki/Pompei_antica. Acesso em: 20 set. 2016.

Os afrescos fornecem informações valiosas para a historiografia da arte do mundo antigo, através dos quatro estilos de pinturas romanas. Muitas pinturas possuem teor erótico, incluindo o uso frequente do falo dedicado ao deus Príapo, inclusive nas esculturas e estuques nas paredes, enquanto outras representam cenas dramáticas e mitológicas. Veremos mais detalhes dessas artes nos próximos vídeos.

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Afresco de um casal romano. Acervo do Museu Arqueológico Nacional de Nápoles. Fonte: Wikipédia. Disponível em: https://de.wikipedia.org/wiki/Datei:Pompeii-couple.jpg. Acesso em: 20 set. 2016.

Este local do património mundial está sob constante ameaça devido à deterioração da exposição aos elementos naturais, aos milhões dos visitantes a cada ano e aos danos potenciais da atividade sísmica e vulcânica. Recentemente foi divulgado nos grandes jornais brasileiros alguns desmoronamentos e problemas na conservação e administração na cidade de Pompeia[1]. Diversas autoridades ficaram em alerta, não só pelas péssimas condições de conservação, mas também por denúncias de corrupção. Há poucos anos, desmoronamentos na cidade de Pompeia deixaram em alerta diversas autoridades no assunto por causa das péssimas condições de conservação por negligência e denúncias de corrupção por parte dos administradores do sitio arqueológico. Segundo a imprensa, os fundos estavam sendo desviados pela máfia, junto à má gestão e saques de pedaços de afrescos e outros elementos históricos. A situação tornou-se mais preocupante após o desmoronamento da Casa dos Gladiadores, em 2010. Segundo o Estadão, a Associação Nacional dos Arqueólogos da Itália expressou “pesar e raiva” sobre o mais recente desmoronamento e criticou o governo por não nomear alguém para liderar a restauração. Parte do muro de um jardim que cercava uma antiga casa, nos arredores da Casa do Moralista e perto da Casa dos Gladiadores, cedeu em diversos pontos, devido à umidade extrema do solo e negligência. A Casa do Moralista constitui-se de lares de duas famílias da cidade antiga, fechadas à visitação aos turistas.

[1] Itália é acusada de negligência na conservação de Pompeia. Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,italia-e-acusada-de-negligencia-na-conservacao-de-pompeia,1103355. Acesso em: 20 set. 2016. Estrutura histórica desmorona em Pompeia, na Itália. Disponível em: http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,estrutura-historica-desmorona-em-pompeia-na-italia,647613. Acesso em: 20 set. 2016.