Pompeia – introdução

Por Marcelo Albuquerque

Estudar a cidade de Pompeia é uma das melhores oportunidades de voltar ao passado e conhecer de perto as tecnologias de construção e os interiores das casas dos ricos romanos. O conhecimento geral da cidade proporciona um panorama de análise sobre todo o mundo romano, não só de como era uma típica cidade romana em si, indo além, pois fornece conhecimentos sobre detalhes mínimos da arquitetura, planejamento urbano, mobiliário e costumes dos cidadãos de Roma. A cidade foi uma espécie de balneário muito valorizado e frequentada por ricos e famosos.

Pompeia mapa

Mapa de Pompeia. Adaptado por Marcelo Albuquerque. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Map_showing_the_main_streets_of_Pompeii.jpg. Acesso em; 06 jan. 2018.

Pompéia está situada ao sul de Nápoles, na região da Campânia italiana. A cidade, junto à sua vizinha Herculano, no ano 79 de nossa era, foi destruída e soterrada por cinzas vulcânicas e pedras-pomes durante a grande erupção do Monte Vesúvio. Sua população era estimada em cerca 11.000 pessoas, porém sabe-se que a maior parte conseguiu escapar a tempo do desastre. Os que morreram no local foram enterrados sob toneladas de cinza vulcânica.

A destruição foi narrada na carta de Plínio, o Jovem, que viu a erupção a uma distância segura e descreveu a morte de seu tio Plínio, o Velho, célebre historiador e almirante da frota romana, que morreu intoxicado durante o resgate de cidadãos. O Monte Somma e o Vesúvio faziam parte da mesma montanha, que se dividiu na erupção de 79. Sua altura chegava a 2.000 m. O mar afastou-se da costa aumentando a distância entre Pompeia e o litoral.

Depois que as grossas camadas de cinzas cobriram Pompéia, ela foi abandonada e esquecida. Em 1599, os primeiros vestígios foram encontrados, quando um canal subterrâneo foi escavado para desviar as aguas do rio Sarno, revelando paredes cobertas com pinturas e inscrições. O arquiteto Domenico Fontana foi chamado, e este revelou mais alguns afrescos, mas, em seguida, cobriu-os de novo, pois o conteúdo sexual frequente de tais pinturas poderia comprometer a integridade das mesmas devido aos moralismos e contextos da época. Em 1738 iniciaram-se as escavações de Herculano, e dez anos depois em Pompeia. Atualmente, é Património Mundial da UNESCO. A beleza da cidade escavada está na possibilidade de estudar um instantâneo da vida romana no século I, congelado no tempo em que foi soterrada, no dia 24 de agosto. A cidade de Pompeia segue a tradição de planta romana com seu cardus e decumanus bem definidos, convergindo no seu belo e monumental fórum. Tinha um sistema complexo de águas, anfiteatro, teatros, ginásio, termas e muralhas com sete portas ao longo de seu perímetro.

Os afrescos fornecem informações valiosas para a historiografia da arte do mundo antigo, através dos quatro estilos de pinturas romanas. Muitas pinturas possuem teor erótico, incluindo o uso frequente do falo dedicado ao deus Príapo, inclusive nas esculturas e estuques nas paredes, enquanto outras representam cenas dramáticas e mitológicas.

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Casa do Poeta Trágico: cena de Teseu e Ariadne no triclínio decorado com painéis amarelos no quarto estilo, com arquiteturas fantásticas. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

O sítio arqueológico de Pompeia está sob constante ameaça devido à deterioração causada pela exposição aos elementos naturais, aos milhões dos visitantes a cada ano e aos danos potenciais das atividades sísmicas e vulcânicas. Recentemente foi divulgado nos grandes jornais brasileiros alguns desmoronamentos e problemas na conservação e administração na cidade de Pompeia[1]. Diversas autoridades ficaram em alerta, não só pelas péssimas condições de conservação, mas também por denúncias de corrupção. Há poucos anos, desmoronamentos na cidade de Pompeia deixaram em alerta diversas autoridades no assunto por causa desses motivos. Segundo a imprensa, os fundos estavam sendo desviados pela máfia, junto à má gestão e saques de pedaços de afrescos e outros elementos históricos. A situação tornou-se mais preocupante após o desmoronamento da Casa dos Gladiadores, em 2010. Segundo o Estadão, a Associação Nacional dos Arqueólogos da Itália expressou “pesar e raiva” sobre o mais recente desmoronamento e criticou o governo por não nomear alguém para liderar a restauração. Parte do muro de um jardim que cercava uma antiga casa, nos arredores da Casa do Moralista e perto da Casa dos Gladiadores, cedeu em diversos pontos, devido à umidade extrema do solo e negligência. A Casa do Moralista constitui-se de lares de duas famílias da cidade antiga, fechadas à visitação aos turistas.

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Rua de Pompeia, próxima à Casa do Fauno, com o monte Vesúvio ao fundo. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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