Por Marcelo Albuquerque

O Palatino, desde aproximadamente 1000 a.C., já apresenta sinais de ocupação humana. Devido à elevação sobre a colina, sua posição era estratégica para a defesa do curso do rio Tibre. Ao seu redor estavam pântanos que seriam drenados no futuro. Na colina do Palatino, onde nasce a cidade de Roma, existem ruínas de três cabanas do século VIII a.C., escavadas na rocha de tufo, uma pedra vulcânica típica da região. Segundo a tradição, pertenceram à Rômulo. Foram encontradas em meados do século XX, próximo à Casa de Lívia, constituindo um dos melhores achados arqueológicos dos primeiros assentamentos de Roma, na Idade do Ferro, entre o século X até o século VII a.C.). Nas ruínas é possível ver as plataformas de pedra escavada, os canais para o escoamento das águas pluviais e os buracos escavados para abrigar as colunas de madeira que formavam a estrutura de habitação. Essas habitações fazem parte da Roma Quadrada, que compreendia a primeira cidade de Roma propriamente, com os limites definidos pelo próprio Rômulo. O Palatino tem uma forma levemente trapezoidal, razão pela qual foi chamado “quadrada”. A Roma Quadrada ocupa a área do Palatino, que oferece uma área propícia à defesa com flancos de pedras íngremes. A parte superior é relativamente plana e agradável, ideal para as áreas residenciais.

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Ruínas das Cabanas de Rômulo, na colina do Palatino. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Ruínas das Cabanas de Rômulo, na colina do Palatino. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Palatino e os limites aproximados da Roma Quadrada. Na imagem podemos ver o Coliseu à direita, o Circus Maximus ao sul, o Fórum Romano ao norte, o Capitólio e a Piazza del Campidoglio a noroeste e o Fórum Boário a sudoeste. Fonte: Google Earth. Acesso em: 12 set. 2016.

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Roma Quadrada, em 753 a.C., ano de sua fundação. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://it.wikipedia.org/wiki/Roma_quadrata. Acesso em: 27 jan. 2017.

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O Palatino e a Roma Quadrada, no século VIII a.C., segundo ilustração do Museu do Palatino, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Maquete de antigas estruturas das Cabanas de Germalo, do Museu do Palatino, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Urnas funerárias votivas de influência latina, conhecidas como hut urn, imitando cabanas primitivas. A hut-urn é um modelo oval ou quadrado de uma cabana com telhado e portas de acesso. A cremação era praticada ao longo do enterro desde a Idade do Ferro. Museu Nacional Romano, nas Termas de Diocleciano, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Fundações de edifícios no Palatino, do Museu do Palatino, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

No período republicano (509 a 27 a.C.) o Palatino foi a sede de vários cultos e templos, bem como a residência de nobres patrícios e figuras de destaque da plebe.

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Palatino, na época de Augusto, segundo ilustração do Museu do Palatino, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Os imperadores romanos estabeleceram seus palácios no Palatino. A própria palavra palácio deriva de Palatino. Augusto, o primeiro imperador, comprou a casa do orador Hortêncio, ao lado da Cabana de Rômulo, expandindo-a através da compra das casas vizinhas, transformando-a em um verdadeiro palácio.  Parte da residência é conhecida como Casa de Lívia, sua esposa. A partir de Augusto, o Palatino tornou-se a residência oficial dos imperadores, como a Domus Tiberiana, uma parte da Domus Aurea de Nero, que se estendia até o Esquilino, passando pelo local do Coliseu, a Domus Flavia e a Domus Severiana.

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Palatino na época imperial, no século II d.C., segundo ilustração do Museu do Palatino, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Artefatos do Museu do Palatino, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Vista do Palatino com o Coliseu ao fundo, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Vista do Palatino e suas estruturas de alvenaria e concreto, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Vista do Palatino para o Circus Maximus, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Vista do Palatino, para o Velabro. No centro o Arco Quadrifonte (século IV d.C.) e o Fórum Boário, com o templo (tholos) de Hercules. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

No século XVI, durante o Renascimento e a reabilitação de Roma como grande centro cultural, religioso e urbano, a colina do Palatino foi propriedade da família Farnese, que ali construiu seu palácio, parcialmente preservado acima das ruínas da Domus Tiberiana. No topo da colina se localiza o edifício do Museu do Palatino, que exibe artefatos relacionados à história do Palatino, desde suas origens até o período Imperial, fonte de algumas imagens apresentadas nesse texto.

 

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Vista do Palatino para o Fórum Romano, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Interior do Museu do Palatino, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Palácio Farnese no Palatino, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.