Ao lado do Palatino, entre o Fórum Romano e o Rio Tibre, encontra-se a colina do Capitolino, ou Capitólio, que desde os primórdios ocupou a posição de Acrópole da cidade, com os principais templos religiosos. A palavra Capitólio é usada para designar a sede da administração de um governo, como visto em Washington D.C., e o termo capital também é derivado do Monte Capitolino.

Após sucessivas batalhas contra os Sabinos, os romanos incorporaram o Capitolino e o Quirinal aos territórios de Roma. O principal acesso ao Capitolino se fazia por uma continuação da Via Sacra, que percorria o Fórum Romano, ao lado do templo de Saturno. No seu cume localizava-se o Templo de Jupiter Optimus Maximus, dedicado à Tríade Capitolina (Júpiter, Juno e Minerva), dividido em três cellas no interior. Acredita-se que o templo foi iniciado pelo rei etrusco Tarquínio Prisco e continuado por Sérvio Túlio, com os espólios das conquistas sobre os Volscos, sendo concluído no início da República. O grande templo de Júpiter era ornamentado com esculturas de Vulca, o único escultor etrusco conhecido pelo nome, e o mais famoso. No início, seus materiais de construção foram a madeira, para as colunas e vigas, tijolos de barro e terracota.

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Colina do Capitolino. Fonte: Google Earth. Acesso em: 12 set. 2016.

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Maquete da Roma Antiga, nos Museus Capitolinos, nos tempos da monarquia. À esquerda vemos o grande templo de Jupiter Optimus Maximus, no Capitolino, e à direita o Palatino. Abaixo do Palatino, o Fórum Boário e a colina do Aventino. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Planta provável do templo de Jupiter Optimus Maximus, no Monte Capitolino, Roma. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Temple_of_Jupiter_Optimus_Maximus. Acesso em: 10 jan. 2017.

Podium do Templo de Jupiter Optimus Maximus, no interior dos Museus Capitolinos, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Maquete descrevendo as proporções da ruína do podium do Templo de Jupiter Optimus Maximus, no interior dos Museus Capitolinos, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Outro grande templo do Capitolino era o Templo de Juno Moneta, concebido após uma batalha contra a invasão dos gauleses, local de cunhagem de moedas. A colina possuía defesas reforçadas com contrafortes e fortificações. Sofreu diversos incêndios e reconstruções ao longo da história.

A Piazza del Campidoglio foi remodelada entre 1536 a 1546 pelo Papa Paulo III, que encarregou Michelangelo de redesenhar a praça e transformar o Capitólio. Foram construídos o Palácio dos Conservadores e o Palácio Novo, sede dos Museus Capitolinos. A famosa estátua equestre do imperador Marco Aurélio ficaria no centro da praça, mas atualmente encontra-se uma réplica enquanto a original está abrigada no interior do museu.

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Palácio Senatorial, no Campidoglio, e a réplica da estátua equestre de Marco Aurélio. Capitolino, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Palácio dos Conservadores, sede dos Museus Capitolinos, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Réplica da Loba Capitolina, sobre uma coluna jônica. Capitolino, Roma. À direita,  fonte Acqua Marcia, antigo sistema de aquedutos romanos. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Marfório (Deus Oceano), nos Museus Capitolinos, Roma. Século I. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Passadiço que liga o Palácio Senatorial ao Universitas Albergatorum (à direita), na Via del Campidoglio. Capitolino, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Sob o Campidoglio, encontra-se o edifício de concreto do Tabularium, o arquivo público de Roma na Antiguidade, atualmente parte dos Museus Capitolinos. O Tabularium foi utilizado como residência fortificada durante o início da Idade Média, mas foi convertido em sede do Senado Romano no século XII, integrando o Palácio Senatorial. Atualmente o palácio abriga escritórios do município de Roma. Possui arcadas com vistas para o Fórum Romano, compondo a paisagem monumental com suas majestosas arcadas de concreto, abrigando atualmente galerias subterrâneas dos Museus Capitolinos.

Galerias do Tabularium, nos Museus Capitolinos, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Fragmento de entablamento do Templo de Vespasiano no interior do Tabularium, nos Museus Capitolinos, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Tabularium visto do Fórum, Roma. O embasamento é constituído de pedras cortadas de tufa. As arcadas são de concreto, porém o revestimento de mármore travertino foi perdido. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Vista espetacular do Fórum de dentro do Tabularium, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

A basílica de Santa Maria in Aracoeli destaca-se pela imponência, e ao seu lado a escadaria Cordonata, encabeçada pelas duas grandes estátuas dos Dioscuros (os míticos Castor e Pólux). Segundo a lenda, Castor e Polux auxiliaram os romanos na vitória contra os etruscos na Batalha do Lago Regilo, quando os Tarquínios tentavam retomar o poder em Roma no início da república. Os gêmeos imortais foram vistos no Fórum Romano, trajados com a púrpura real, dando água de beber aos cavalos na Fonte Juturna, sendo interpretado como um sinal de vitória dos romanos. A escadaria possui uma inclinação leve, permitindo o acesso aos cavalos. Aos pés da escadaria Cordonata, é possível contemplar uma insula romana, um tipo de edifício de poucos andares e apartamentos da Roma antiga.

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Escadaria Cordonata e os Dióscuros. Capitolino, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Dióscuros. Capitolino, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Fonte Juturna, local mítico da aparição dos Dióscuros (Castor e Polux), entre o Templo das Vestais e o Templo de Castor e Polux. Fórum Romano, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Ruínas da igreja de San Biagio de Mercato em uma insula romana, aos pés do Capitolino, ao lado da Escadaria Cordonata. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Abside com afrescos das ruínas da igreja de San Biagio de Mercato em uma insula romana, aos pés do Capitolino, ao lado da Escadaria Cordonata. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Por fim, não podemos deixar de citar o Monumento a Vittorio Emanuele II, conhecido pelo carinhoso apelido de Bolo de Noiva ou Máquina de Escrever, assim chamado pejorativamente pelos modernistas e estrangeiros devido ao seu formato. É um edifício amado ou odiado, pois seus opositores questionam sua escala e volume, ofuscando assim a monumentalidade do Fórum, e sua cor branca dos mármores se destaca das cores terrosas das ruínas, edifícios históricos e residências ao redor. Para ser erguido, também foi necessária a demolição de edifícios medievais. O monumento guarda a chama eterna, os restos do soldado desconhecido e um mirante para a cidade e para o Fórum, em especial. Seu desenho remete às aras (altares) helenísticas, como a Ara de Pérgamo, e foi construído entre 1885 a 1927, obra de Giuseppe Sacconi. Foi concebido em homenagem à Itália unificada e ao primeiro rei, Vitor Emanuel II.

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Monumento a Vittorio Emanuelle II, Roma. Quadrigas com a Vitória Alada, no Monumento a Vittorio Emanuelle II, vista do Capitolino. Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Arredores da Rocha Tarpea, de onde se atiravam os condenados no Capitolino, com vista para o Teatro de Marcelo e Sinagoga do Gueto Judeu. Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.